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‘Tarifaço’ de Trump pode estimular abertura comercial do Brasil, aponta FecomercioSP

Movimento seria positivo para a economia brasileira, que ganharia competitividade e dinamismo

As tarifas de 50% sobre praticamente metade das exportações do Brasil para os Estados Unidos, que começam a valer nesta quarta-feira (6/8), podem representar uma oportunidade para o País promover uma ampla agenda de reforma da sua postura comercial no mundo.

Na leitura da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), entidade a qual é filiado o Sincomercio (Sindicato dos Lojistas e do Comércio Varejista de Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste), este é um bom momento para ampliar a presença nas cadeias globais de valor e de se inserir com mais força no jogo de trocas internacionais, fazendo o movimento contrário ao dos Estados Unidos, diminuindo tarifas e flexibilizando burocracias.

A abertura comercial seria positiva para empresas, consumidores e, portanto, à própria economia brasileira, que ganharia competitividade e dinamismo, além de aumentar substancialmente a sua atração a investimentos internacionais. Hoje, ao contrário, o começo do tarifaço marca um período de incertezas, já que as taxações sobre quase 60% dos produtos nacionais vão impactar indústrias e cadeias inteiras já estabelecidas no Brasil.

Essa análise é compartilhada por alguns dos principais especialistas da relação entre o Brasil e o país norte-americano, como o economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial, sediado em Washington. Na última sexta-feira (1º), durante live organizada pela Federação, ele enfatizou que o País deve promover discussões para melhorar a sua competitividade internacional. “Os níveis de proteção comercial — tanto tarifária quanto não tarifária — não têm sido benéficos à economia brasileira. Não devemos abandonar a discussão das   vantagens que poderíamos ter com um programa unilateral de abertura do nosso comércio e de redução das nossas tarifas”, disse ele.

A FecomercioSP vem discutindo, há bastante tempo [veja as propostas aqui], os possíveis avanços nessa agenda tanto com o Poder Público e representantes da sociedade civil quanto com o empresariado — entendendo que não se trata apenas de um instrumento para reagir às políticas da Casa Branca, mas, antes disso, de um processo de desenvolvimento nacional. Há quase meio século, a participação brasileira no mercado internacional é pequena, resumindo-se a apenas cerca de 1,5% de toda a corrente de comércio global. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil foi 24º maior exportador de bens do mundo em 2023, além de ocupar a 27ª colocação no ranking mundial de importações. Tudo isso mesmo tendo o nono maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.

Uma agenda desse porte também diminuiria a dependência brasileira em relação à China e aos Estados Unidos, destinos de mais de 40% das nossas exportações. Se o País já estivesse implementando algumas das propostas e contasse com uma ampla rede de acordos de livre-comércio estabelecidos, os prejuízos desse tarifaço seriam bem menores.

PARA ALÉM DE IDEOLOGIAS

Ainda assim, neste momento de entrada em vigor das tarifas, a FecomercioSP entende que a resposta deve ser pragmática. A Entidade segue em linha com o que pensa Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington, que também participou da live sobre o tema.

Segundo ele, a relação entre os dois países continuará bastante sólida, desde que o Brasil foque em questões de longo prazo. Ao mesmo tempo, o País não pode se esquivar de uma posição firme. “Precisamos de uma declaração pública forte e ações coerentes, mostrando que o nosso posicionamento é independente.”

Também em consonância com especialistas do porte de Barbosa, a Federação reforça que as conversas sobre essas tarifas não podem se dar, no âmbito diplomático, de forma ideológica. Ao contrário, decisões estratégicas e de alto impacto devem ser tomadas com diálogo diplomático e procurando a construção de consensos. “Temos de separar escalada político-diplomática de escalada comercial”, notou Barbosa, durante a discussão na live da FecomercioSP. “A negociação não pode ser condicionada a esses impasses. Para além de diferenças entre os dois governos, de ordem ideológica, precisamos estabelecer canais de contato.”

IMPACTOS REDUZIDOS, MAS NÃO DESPREZÍVEIS

Por outro lado, é consenso que as tarifas impostas pela Casa Branca terão impacto menor do que o esperado inicialmente, muito por causa da extensa lista de isenções — por exemplo, peças de avião e suco de laranja. Nos cálculos de Canuto, o efeito negativo sobre o PIB brasileiro deve ficar em torno de 0,9%. “É bem menor o que seria com os 50% [de tarifas] prevalecendo sobre tudo. É negativo, mas não desastroso”, observou.

Thiago de Aragão, diretor de Estratégia da consultoria Arko Advice, por sua vez, lembrou que alguns produtos críticos aos Estados Unidos, como café e carne, ficaram fora da lista como estratégia de Trump para manter o ímpeto da negociação. “Ele gosta de fechar negócios em um jogo de soma-zero, em que precisa apresentar a vitória. Como alguns setores têm grande influência no governo brasileiro, excluir esses produtos visa aumentar a urgência para negociar.” Nesta nova etapa da ordem mundial, reduzir tarifas de importação, simplificar regulamentações e promove mais inserção internacional da economia brasileira são princípios que devem nortear o País — e que também amparam as propostas da FecomercioSP

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