Jogo macabro com sangue e terror psicológico teria sido acessado por alunos dentro de escola municipal
Duas mães de alunos da rede municipal de ensino procuraram a redação do portal SB24Horas para relatar situações que consideram preocupantes envolvendo o ambiente escolar no CIEP Angélica Sega Tremocoldi, em Santa Bárbara d’Oeste.
As denúncias, encaminhadas separadamente à reportagem, apontam possíveis problemas relacionados ao acesso de crianças a conteúdos digitais considerados inadequados durante aulas de informática, episódios de violência entre alunos e questionamentos sobre a supervisão de estudantes em determinados momentos dentro da escola.
Por receio de possíveis represálias contra seus filhos, ambas as mães pediram para não terem suas identidades divulgadas.
Acesso a jogos online durante aulas
Uma das denúncias recebidas pela reportagem relata que alunos da quarta série do ensino fundamental, com cerca de 9 anos de idade, estariam tendo acesso livre a plataformas de jogos online durante aulas realizadas em computadores da escola.
Segundo a mãe de uma das alunas, os estudantes utilizariam sites como Poki e Crazy Games, que concentram milhares de jogos gratuitos disponíveis na internet.
Entre os conteúdos citados estaria o jogo “Forgotten Hill”, conhecido por apresentar temática de terror psicológico.
De acordo com o relato, a criança teria tido contato com o jogo durante atividades escolares e, posteriormente, passou a apresentar medo e dificuldades para dormir.
“Ela acordou de madrugada depois de um pesadelo e disse que tinha sonhado com imagens do jogo que viu na escola”, afirmou a mãe.
A responsável relatou ainda que a situação foi levada à direção da escola e também à Secretaria Municipal de Educação por meio de protocolo formal. Além disso, um Boletim de Ocorrência foi registrado na Polícia Civil relatando o caso.
Classificação indicativa do conteúdo
Durante a apuração da reportagem, a equipe do SB24Horas verificou informações sobre o jogo mencionado na denúncia.
De acordo com descrições disponíveis nas páginas do próprio jogo na internet, a série “Forgotten Hill” possui recomendação indicativa para maiores de 14 a 16 anos.
O conteúdo apresenta elementos como terror psicológico, atmosfera sombria, presença de sangue, violência moderada e temas considerados perturbadores, além de puzzles macabros e narrativas de suspense.
Segundo a denúncia encaminhada à reportagem, alunos com cerca de 9 anos de idade teriam tido acesso ao jogo durante atividades realizadas nos computadores da escola.
Relatos de violência entre alunos
Outra mãe de estudante do CIEP Angélica Sega Tremocoldi também procurou a reportagem e relatou preocupação com episódios recorrentes envolvendo segurança dentro da unidade escolar.
Segundo ela, o filho teria sofrido agressões de outros estudantes em diferentes momentos dentro da escola.
“Meu filho chega em casa quase todos os dias com marcas roxas. Já foi encurralado por meninos mais velhos e chegou a bater a cabeça”, relatou.
A mãe afirma que procurou a direção da escola para relatar as ocorrências e solicitar providências.
De acordo com o relato, a direção teria informado que os horários de recreio seriam reorganizados para separar alunos maiores dos menores.
Apesar disso, a responsável afirma que os episódios continuaram ocorrendo.
Episódio no banheiro
A segunda denunciante também relatou um episódio envolvendo o filho dentro do banheiro da escola.
Segundo o relato da criança, um colega teria tocado em suas partes íntimas enquanto ele utilizava o local.
O aluno teria procurado uma funcionária da escola após o ocorrido.
A mãe afirma que ficou preocupada com a situação e com a forma como o caso teria sido tratado.
Questionamentos sobre supervisão
Entre os relatos encaminhados à reportagem, também há questionamentos sobre a supervisão de alunos durante o intervalo.
Segundo a denunciante, em algumas ocasiões as crianças ficariam sem acompanhamento adequado de adultos durante o recreio.
A mãe afirma que já procurou a escola diversas vezes para relatar episódios envolvendo conflitos entre alunos.
Em um dos casos mencionados, segundo ela, um estudante teria provocado sangramento no nariz de outro após uma briga.
Conteúdos considerados inadequados
Além dos jogos online, a segunda mãe relatou preocupação com um livro que teria sido levado para casa por sua filha após atividades escolares.
Segundo ela, o material apresentaria temática de terror envolvendo espíritos e violência.
De acordo com a mãe, a criança teria ficado assustada após a leitura e apresentado pesadelos durante alguns dias.
Orientação relatada por alunos
As duas mães também demonstraram preocupação com uma orientação que, segundo elas, teria sido repassada a estudantes dentro da escola.
De acordo com os relatos, alunos teriam sido orientados por uma coordenadora a não comentar com os pais sobre acontecimentos internos da unidade escolar.
As responsáveis consideram a orientação inadequada e afirmam que a situação gerou insegurança entre as famílias.
Desabafo emocionado
Em áudio enviado à produção do SB24Horas, uma das mães relatou estar emocionalmente abalada com a situação e afirmou que decidiu procurar a imprensa após não conseguir respostas satisfatórias por outros caminhos.
Entre lágrimas, ela afirmou que teme represálias, mas acredita que a situação precisa ser investigada.
“Tenho medo de denunciar com meu nome porque já passei por muita hostilidade antes. Mesmo assim continuo falando porque acredito que isso precisa mudar”, disse.
Segundo ela, o principal objetivo é garantir que as crianças tenham um ambiente escolar seguro.
“Se precisar ir a outros lugares denunciar, eu vou. Eu só quero que as crianças estejam seguras na escola”, afirmou.
Prefeitura é questionada
O portal SB24Horas entrou em contato com a Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste solicitando esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo o CIEP Angélica Sega Tremocoldi, especialmente em relação à supervisão de alunos durante os intervalos, ao controle de acesso à internet nas aulas de informática e aos critérios adotados para a seleção de materiais de leitura utilizados com os estudantes.
Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura não havia encaminhado nenhuma nota oficial em resposta aos questionamentos enviados pela redação.
Assim que houver manifestação oficial por parte da Secretaria Municipal de Educação ou da Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, a matéria será atualizada ou uma nova reportagem será publicada com os esclarecimentos apresentados pelas autoridades responsáveis.
Fonte: SB24Horas











