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Piracicaba

Sesc Piracicaba revisita 40 anos da Bienal Naïfs do Brasil com ciclo de encontros que debate caminhos da arte popular

Bienal Naifs do Brasil 2020 Foto Lucas Cersosimo
Foto: Lucas Cersósimo - Bienal Naïfs do Brasil 2020

Discussão em torno dos conceitos de “naïf” e “popular” guia encontros, que reúnem diferentes vozes e projetam caminhos para a mostra; programação contará com transmissão online;

Piracicaba (SP), março de 2026 — Nos dias 19 e 20 de março, o Sesc Piracicaba realiza o ciclo de encontros O Estado da Arte [naïf] [popular], que propõe ampliar o debate público no campo das artes sobre a produção que foi historicamente classificada como popular, naïf, primitiva e folclórica. O encontro acontece no teatro da unidade e reúne artistas, curadores, pesquisadores e educadores em uma programação dedicada à reflexão crítica sobre o panorama contemporâneo dessas manifestações artísticas. O público também poderá acompanhar os debates online pela plataforma Zoom.

A programação revisita a trajetória da Bienal Naïfs do Brasil — realizada no Sesc Piracicaba entre 1986 e 2020, primeiro como mostra e depois como bienal — ao mesmo tempo em que propõe uma pausa para repensar os caminhos futuros da exposição que se tornou referência no campo das artes. Ao longo de seus 40 anos, ela apresentou ao grande público artistas celebres como Aleijadinho, Carmézia Emiliano, Waldomiro de Deus, Volpi, José Antônio da Silva, Antônio Poteiro, Heitor dos Prazeres, Mestre Vitalino, Maria Auxiliadora da Silva, G.T.O. (Geraldo Teles de Oliveira), Véio, Cícero Dias, Guignard, entre outros.

A arte naïf é geralmente associada a produções realizadas de forma autodidata e temas ligados ao cotidiano, à memória ou à imaginação. Historicamente, esses artistas enfrentaram dificuldades de inserção em espaços institucionais, como museus e grandes galerias. A Bienal Naïfs do Brasil funcionou como uma plataforma de visibilidade a essa produção — porém, o termo naïf passou a ser questionado por poder ter uma possível conotação pejorativa, por vezes associado à ideia de ingenuidade ou inferioridade em relação à arte contemporânea. 

“Os termos ‘naïf’ e ‘popular’ são categorias construídas ao longo do tempo e carregam implicações simbólicas, políticas e sociais. O seminário surge como um espaço de escuta e construção coletiva, cujo objetivo é justamente atualizar conhecimentos e trazer esse debate para o centro da discussão atual”, explica o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Galina. “Para isso, a proposta é reunir diferentes vozes e perspectivas e repensar a Bienal Naïfs do Brasil diante das transformações do campo das artes”, acrescenta.

O Teatro do Sesc Piracicaba foi escolhido por seu vínculo histórico com a mostra. Além das atividades presenciais, o seminário contará com transmissão online, ampliando o alcance do debate e incentivando uma participação mais democrática. 

O encontro também mantém o caráter reflexivo presente na proposta da Bienal Naïfs do Brasil que, ao longo de suas edições, incentivou questionamentos por meio de recortes curatoriais e textos críticos. “Cada edição apresentou um foco específico e promoveu debates importantes relacionados ao seu tempo. Agora, o convite é olhar para essa trajetória com abertura e espírito colaborativo”, aponta Galina.

Comunidade presente e saberes do território

A Bienal Naïfs do Brasil teve origem a partir da “Mostra Nacional de Arte Ingênua e Primitiva”, uma exposição inserida em um amplo projeto de múltiplas linguagens artísticas denominado “Cenas da Cultura Caipira”, realizado no Sesc Piracicaba, em 1986. 

Nas primeiras edições da Bienal, eram reservadas salas especiais dedicadas a artistas reconhecidamente “naïf”. Com o tempo, surgiram salas separadas onde artistas já reconhecidos no sistema das artes, chamados de “contemporâneos”, eram apresentados. Foi na edição de 2012 que artistas convidados e selecionados passaram a compartilhar explicitamente os mesmos espaços, sendo expostos lado a lado.

Ao longo das edições, além da visitação às exposições, formações com professores da rede municipal e visitação de grupos escolares e de instituições, a comunidade local esteve presente tanto como artista expositor – a exemplo de Mestre Zequinha, Carmela Pereira, Gustavo Ansia, Carlos Valério, Laércio Ferreira – quanto nas programações. A Bienal também trouxe saberes do território em atividades paralelas, como o Fórum das Tradições Populares, apresentações de grupos de folia de reis, maracatu, congadas, oficinas, ateliês abertos, apresentações teatrais, cordéis, entre outros. 

Ciclo de Encontros sobre Arte Popular (Naïfs)

Quando: 19 e 20 de março de 2026

Onde: Teatro do Sesc Piracicaba – Rua Ipiranga, 155 – Centro – Piracicaba/SP

Entrada gratuita. Retirada de ingressos com uma hora de antecedência.

Vagas limitadas

Transmissão online via plataforma Zoom. O link será divulgado em breve no portal e redes sociais do Sesc.

PROGRAMAÇÃO (sujeita a alterações)

QUI 19.03.2026

MESA 1 – 16h às 18h – Bienal Naïfs do Brasil: o que já trilhamos até aqui
Qual o legado da Bienal Naïfs do Brasil, promovida pelo Sesc São Paulo, nos seus 40 anos de existência?
Quais as revisões necessárias para seguir relevante na contemporaneidade?

Convidados (as):
Margarete R. Chiarella, agente Cultural, produtora executiva e curadora de exposições 

Claudinei Roberto da Silva, curador da exposição “Sidney Amaral” e 1º vencedor do prêmio Funarte para artistas e curadores negros do Museu Afro Brasil 

Oscar D’Ambrósio, autor da tese de doutorado, publicada em livro, “Um mergulho no Brasil Naif: a Bienal Naifs do Brasil do Sesc Piracicaba 1992 a 2010“
Mediação: Nilva Luz, Gerente do Sesc Sorocaba

MESA 2 – 19h às 21h – Naïf, popular, primitivo, folclórico: termos e implicações
Quais as fronteiras da chamada arte popular: arte naif, arte contemporânea, design, folclore, artesanato, patrimônio?
Que tensões e complexidades atravessam esses termos?

Convidados (as):
Ricardo Gomes Lima, antropólogo e doutor em Antropologia Cultural

Renan Quevedo, pesquisador e divulgador de artistas populares no projeto “Novos para nós”

Ângela Mascelani, antropóloga, diretora e curadora do Museu do Pontal (RJ)
Depoimento em vídeo: Enzo Ferrara, artista autodidata e ativista das artes populares
Mediação: Amanda Tavares, pesquisadora e curadora de arte popular

SEX 20.03.2026

MESA 3 – 16h às 18h – Intersecções raça/gênero na arte popular
Como raça e gênero se e Como raça e gênero se entrelaçam nos fazeres populares?
Quais lugares são permitidos, negados, acessados ou relegados?

Convidados (as):
Glicéria Tupinambá, primeira artista indígena a representar o país no pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza em 2024

Renato Menezes, historiador da Arte (UERJ) e doutorando em Teoria da Arte pela EHESS (Paris)

Renata Felinto, mulher afro-diaspórica, artista visual, pesquisadora e professora
Depoimento em vídeo: Larissa de Souza, artista autodidata, emprega na pintura figurativa a imagem da mulher negra
Mediação: Maria Macedo, licenciada em Artes Visuais pelo Centro de Arte da Universidade Regional do Cariri

MESA 4 – 19h às 21h – Práticas e experiências artísticas em primeira pessoa
Quais as práticas, modos, experiências, tornam um artista naif/popular/primitivo?
Há protagonismo do sujeito artista na definição conceitual da própria arte?

Convidados (as): 
Con Silva, artista visual autodidata, participante da 15ª Bienal Naïfs

Mestre Zequinha, mestre de Capoeira Angola e artista plástico, premiado na Bienal Naifs do Brasil 2008

Waldomiro de Deus, pintor e desenhista, considerado um dos maiores artistas populares do Brasil

Lourdes de Deus, artista pernambucana, tem algumas de suas telas estão expostas no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
Depoimento em vídeo: Véio, artista plástico, transforma raízes e madeira da caatinga em figuras enigmáticas que retratam o cotidiano e lendas do sertão
Mediação: Aline Albuquerque, artista visual, gerente de Difusão e Ação Cultural do Museu da Imagem e do Sim do Ceará (MIS – CE)

Escrito por
Dennis Moraes

Jornalista, Hoster do Iron Podcast e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação

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