segunda-feira , 29 junho 2026
Lar Variedades Ibaneis pede R$ 4 bilhões ao FGC para socorrer Banco de Brasília
Variedades

Ibaneis pede R$ 4 bilhões ao FGC para socorrer Banco de Brasília

brb. foto paulo h. carvalho agencia brasilia
© Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB).

O pedido foi formalizado por carta enviada ao fundo, com o objetivo de garantir a continuidade de serviços financeiros, apoiar políticas públicas e preservar a liquidez da instituição.

A operação prevê carência de um ano e seis meses, com pagamentos semestrais. A remuneração deve seguir o CDI acrescido de spread, conforme condições a serem definidas pelo FGC.

O modelo inclui tanto reforço de capital quanto eventual linha de liquidez, em formato ainda sujeito a ajustes entre as partes.

Garantias

Para viabilizar o crédito, o Governo do Distrito Federal propôs como garantias participações acionárias em empresas públicas, como Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), BRB (Banco de Brasília) e CEB (Companhia Energética de Brasília), além de nove imóveis públicos autorizados em lei.

Parte desses ativos, porém, enfrenta questionamentos. A área conhecida como Serrinha do Paranoá, por exemplo, teve o uso de garantias suspenso pela Justiça local, mas cabe recurso. 

Outro ponto de controvérsia é o Centrad, complexo administrativo sem uso há mais de uma década e envolvido em disputa judicial.

Objetivo do aporte

O Governo do Distrito Federal classifica a operação como “estruturante” e afirma que o objetivo é recompor indicadores exigidos pela regulação bancária, como o Índice de Basileia, que mede a solidez das instituições financeiras.

Entre os resultados esperados estão:

  •  expansão da carteira de crédito;
  •  financiamento de infraestrutura e habitação;
  •  apoio a micro e pequenas empresas;
  •  estímulo à economia local e à arrecadação.

A iniciativa ocorre em meio a dificuldades fiscais do DF. O governo local recorre ao FGC após encerrar 2025 com déficit de cerca de R$ 1 bilhão e sem capacidade de obter garantia do Tesouro Nacional para operações de crédito.

No caso do BRB, a situação também é pressionada por perdas associadas a ativos problemáticos e pela necessidade de elevar provisões, estimadas em bilhões de reais.

Negociação

O processo ainda está em fase inicial e depende da análise do FGC quanto à viabilidade, risco e adequação às regras do fundo.

O Palácio do Buriti informou que prepara documentos como plano de negócios, plano de capital e diagnóstico financeiro, além de uma proposta detalhada de garantias e cronograma de implementação.

A liberação dos recursos dependerá da avaliação da capacidade de pagamento e da consistência dos ativos oferecidos.

Banco Master

Investigações indicam que o Banco de Brasília adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos considerados irregulares do Banco Master. A instituição afirma, contudo, que conseguiu recuperar parte desses recursos.

Atualmente, a necessidade de provisões do BRB gira em torno de R$ 8,8 bilhões, mas uma auditoria forense independente estima um impacto maior, de até R$ 13,3 bilhões, relacionado a operações com indícios de falta de lastro. 

O banco também enfrenta dificuldades para divulgar os resultados de 2025 dentro do prazo, até o fim deste mês, e o Banco Central tem resistido a conceder a prorrogação.

fonte: Agência Brasil

Artigos relacionados

Mulheres comandam produção em duas em cada dez propriedades rurais

As mulheres brasileiras são responsáveis pela produção agropecuária em duas de cada...

Governo registra déficit primário de R$ 53,3 bi em maio

As contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 53,3 bilhões...

Desenrola lança modalidades de crédito para estimular bons pagadores

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (29) modalidades de crédito dentro do programa...

Mercado mantém em 5,33% projeção de inflação para 2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado pelo mercado...