Deformidade no crânio foi confundida pela família com formato genético da cabeça de um tio do bebê
Um laudo médico recebido quando o filho tinha apenas quatro meses transformou completamente a rotina da influenciadora digital Isadora Battirola Rigon Vettorello, de Lages (SC). O pequeno Romeu Rigon Vettorello foi diagnosticado com trigonocefalia, uma malformação rara causada pelo fechamento precoce dos ossos do crânio, e precisou passar por uma cirurgia delicada na cabeça poucas semanas depois da descoberta.
“Ele era um bebê completamente normal. Não tinha atraso, não tinha nenhum sintoma grave. Então foi um choque muito grande ouvir que ele precisaria operar a cabeça tão pequeno. Quase achei que estava entrando em depressão depois que tudo passou”, relata Isadora.
A condição altera o formato da cabeça e pode causar sequelas neurológicas, cognitivas e visuais quando não diagnosticada precocemente. No caso de Romeu, os sinais acabaram confundindo a própria família. Isso porque um tio do bebê possui o formato da cabeça mais pontudo, levando os pais a acreditarem que pudesse ser apenas uma característica genética.
“Como ele nasceu de parto natural, pensamos que o formato da cabeça fosse consequência do parto. Depois, comparamos muito com meu irmão, que também tem a cabeça mais pontuda. Nunca imaginamos que pudesse ser algo tão sério”, explica.
A suspeita começou após a família perceber alterações na região dos olhos do bebê. Inicialmente, Isadora acreditava que o filho pudesse ter estrabismo. Durante consultas de rotina, médicos questionaram se Romeu já havia sido avaliado por um neurologista. Aos quatro meses, a pediatra solicitou uma tomografia para descartar possíveis alterações e o exame confirmou o diagnóstico de trigonocefalia.



A descoberta aconteceu no fim de setembro do ano passado, justamente durante o mês de conscientização da cranioestenose. A partir dali, a família iniciou uma busca por especialistas em Santa Catarina e no Paraná até encontrar o neurocirurgião pediátrico Dr. Alexandre Casagrande Canheu pelas redes sociais.
Influenciadora nas áreas de maternidade, moda, beleza e lifestyle, Isadora afirma que conheceu o médico pelo Instagram.
“Eu gosto muito de acompanhar profissionais pelas redes e me encantei pela forma como ele abordava o assunto”, afirma.
A cirurgia foi realizada no dia 17 de outubro, em São Paulo. Segundo a família, a rapidez entre o diagnóstico e o procedimento foi fundamental para evitar sequelas. “A trigonocefalia é uma condição que pode impactar o desenvolvimento neurológico e visual da criança quando não identificada precocemente. No caso do Romeu, o diagnóstico levou 4 meses, o que é considerado demorado. Muitas vezes, médicos não identificam no nascimento, o que pode gerar complicações. Mas ao obter o diagnóstico, a família nos procurou e viabilizarmos rapidamente a cirurgia ainda nos primeiros meses de vida, o que vai evitar sequelas futuras” explica o neurocirurgião pediátrico Dr. Alexandre Casagrande Canheu.
Trigonocefalia
A trigonocefalia é um tipo de cranioestenose caracterizada pelo fechamento precoce da sutura metópica, localizada na região frontal do crânio. A condição provoca um formato triangular na testa e pode causar alterações no desenvolvimento do cérebro, da visão e até dificuldades cognitivas quando não tratada no momento adequado. O diagnóstico costuma ser feito ainda nos primeiros meses de vida por meio de avaliação clínica e exames de imagem. Em muitos casos, a cirurgia é indicada para corrigir a deformidade craniana e permitir o crescimento adequado do cérebro.
Imagem mostra bebê antes da cirurgia:













