Por trás da Kombi colorida existe também uma escolha: a de seguir de forma independente pelas estradas e pelas ruas das comunidades, buscando chegar justamente onde o acesso à cultura muitas vezes é mais difícil.
Em Assis, essa trajetória passa pelas ruas de bairros mais afastados, regiões periféricas e áreas de vulnerabilidade social. É nesses territórios que a chegada da Kombi ganha um significado especial: ela leva o circo, o cinema e a arte para perto de quem muitas vezes não tem a oportunidade de frequentar um centro cultural
Tampa e Panela, representando pelos artistas circenses Fernando Cavallari e Roxane Souza Cavallari, muitas vezes seguem viagem por iniciativa própria. Não esperam necessariamente por um palco, um convite ou uma grande estrutura para fazer a apresentação acontecer. Eles chegam às comunidades, estacionam a Kombi, abrem as portas e começam a criar.
A rua se transforma em palco. A praça vira espaço de convivência. A frente das casas se transforma em lugar de encontro.
E, em poucos minutos, a rotina daquela comunidade pode ganhar uma nova paisagem.
O combustível é a recepção do público
Nessa caminhada por várias vezes pelas ruas e comunidades de Assis, existe um combustível que vai muito além daquele que mantém a Kombi na estrada.
É a recepção do público.
O sorriso de uma criança que sai de casa, a família que se aproxima, o morador que abre a janela para descobrir o que está acontecendo, os aplausos, a curiosidade e a participação das pessoas são parte da energia que alimenta esses artistas a continuar.
“A gente vai de forma independente. O nosso combustível é a arte e, principalmente, a recepção do público. Quando a gente chega em uma comunidade e vê as crianças saindo de casa, as famílias se aproximando e todo mundo entrando na brincadeira, isso dá força para continuar a estrada.”, relata os palhaços Tampa e Panela ( Roxane S. Cavallari e Fernando Cavallari).
É nesse encontro espontâneo, no coração das comunidades e nas ruas dos bairros mais afastados de Assis, que a proposta cultural ganha ainda mais sentido.
A Kombi não chega apenas para apresentar um espetáculo ou exibir um filme.
Ela chega para ocupar a rua com arte, criar vínculos e proporcionar uma experiência cultural onde ela muitas vezes não chega com frequência.
A estrada, nesse caso, não é apenas o caminho entre uma cidade e outra. Ela faz parte da própria linguagem dos artistas.
Tampa e Panela seguem levando seus equipamentos, figurinos, objetos, livros e toda a estrutura necessária para transformar ruas, praças e espaços das comunidades em ambientes de cultura, brincadeira e convivência.
Nas áreas mais vulneráveis, a presença da Kombi pode representar muito mais do que alguns minutos de diversão. É a possibilidade de uma criança encontrar o circo perto de casa, de uma família ter contato com o cinema e de uma comunidade inteira se reunir em torno da arte.
Onde houver uma rua, uma comunidade e pessoas dispostas a brincar, existe a possibilidade de fazer a arte acontecer.















