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Eleições 2022: veja as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para o esporte

cbf anuncia amistosos da selecao feminina em palcos da copa do mundo
© Lívia Villas Boas / CBF

O esporte como política pública integra os planos de governo dos dois candidatos que disputam o segundo turno da Presidência da República. Ambos associam o tema à educação. As divergências concentram-se nas propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre infraestrutura e esporte feminino.

A exclusão das atletas transexuais é a única menção ao esporte feminino do candidato do PL, mesmo sendo 2027 ano de Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil, a primeira vez do evento na América do Sul.

Flávio também não menciona o programa Bolsa Atleta, que em 2026 teve o valor reajustado e alcançou o maior número de atletas da história: 11 mil contemplados, entre categorias que vão do infantil ao olímpico. O candidato do PL aborda apenas o aperfeiçoamento de bolsas esportivas para atletas de alto rendimento, em parceria com a iniciativa privada.

O programa de Lula é pensado como uma ampliação das políticas estruturantes realizadas no mandato 2023-2026, com o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), obras de infraestrutura, como construção de arenas, no Programa de Aceleração de Crescimento (Novo PAC), e o reconhecimento dos aspectos culturais do desporto e de seu potencial econômico e turístico.

As mulheres são citadas como protagonistas no programa do candidato do PT, com destaque para a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino, com investimento para o sucesso do evento em oito capitais brasileiras e incentivo para seu potencial turístico.

>> Leia abaixo os planos de governo dos dois candidatos:

Cidadania e esporte

Os dois candidatos relacionam o esporte à cidadania a partir de premissas distintas. Enquanto Flávio Bolsonaro enfatiza a ligação da prática com a educação e a segurança dos jovens, prevalece a visão de que a atividade funciona como ferramenta ou tecnologia social para alcançar tais finalidades.

“Preparar uma família para a vida (…) envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina. Tudo isso faz parte do que é necessário para uma família subir na vida pelo próprio esforço”, diz o programa do candidato do PL.

Assim como no plano de seu concorrente, Lula considera o esporte um elemento importante para a juventude, equiparando-o à educação, ao acesso ao lazer, à cultura e às oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.

A divergência mais evidente reside no fato de a proposta petista conferir ao esporte o status de vetor de transformação social e de expressão da cultura brasileira, caracterizando-o como “instrumento de desenvolvimento humano, inclusão social e dinamização”, em condição equiparada à cultura.

O aspecto econômico do esporte também assume relevância central na concepção do plano de Lula. Tratado sob a ótica econômica, o setor figura no programa como uma das indústrias criativas e áreas estratégicas a serem priorizadas em eventual novo mandato.

“Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento em todos os territórios brasileiros”, destaca o programa.

Esporte e educação

O candidato Flávio Bolsonaro confere forte destaque à articulação entre esporte e educação. Além de equiparar a área às artes e à literatura como componente da educação integral, propõe a abertura das escolas durante os recessos por meio do programa Escola nas Férias, apontando a iniciativa como estratégia para evitar a ociosidade infantil. O texto, contudo, não detalha os mecanismos de adesão ou a execução prática da medida.

O plano de Flávio também define o esporte como atrativo e suporte educacional. “O esporte é uma das ferramentas mais poderosas que existem para formar um jovem, e uma das mais desperdiçadas pelo poder público. Ele ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente e, para alguns, abre a porta de uma profissão. Nós tratamos o esporte como o que ele é: instrumento de liberdade individual, disciplina, superação e oportunidade real, com foco na formação de caráter e na saúde mental do jovem.”

A proposta de Lula não estabelece vínculo direto entre o ambiente escolar e as políticas de esporte para a juventude, mas prevê a criação de uma instituição superior especializada, a Universidade do Esporte, já aprovada na Câmara. A estrutura funcionará como base para uma rede nacional de pesquisa, inovação e tecnologia esportiva, voltada à capacitação de técnicos e ao aprimoramento da gestão no esporte de alto rendimento.

Gestão de equipamentos

O candidato à reeleição salientou realizações anteriores, sobretudo do último mandato, para evidenciar a prioridade atribuída ao setor. Ele mencionou intervenções no âmbito do Novo PAC, como a construção de centros esportivos em centenas de municípios, a consolidação de programas de longo prazo e a aprovação parlamentar do projeto da Universidade do Esporte.

O programa menciona as unidades do Arena Brasil e a continuidade dos aportes financeiros em infraestrutura e funcionamento como metas centrais de um novo governo.

Sem referência direta ao esporte, mas de forma geral em outras seções da proposta, Lula defende a gestão direta de equipamentos em parceria com estados e municípios, contemplando atores locais como organizações não governamentais (ONGs) e projetos sociais na execução de atividades e no atendimento ao público. A diretriz expressa visão crítica em relação a privatizações, limitando-as a setores de alta concentração de capital e complexidade técnica, a exemplo de grandes obras de energia e infraestrutura.

As propostas de Fábio Bolsonaro para o esporte de alto rendimento enfatizam de forma recorrente a cooperação e o patrocínio da iniciativa privada, “em parceria com clubes, faculdades e universidades”. O texto prevê ainda o fomento, por intermédio de editais, ao uso de ciência de dados e tecnologia por confederações e agremiações.

Como estratégia para ampliar o alcance das políticas esportivas no âmbito escolar, o candidato do PL aposta em parcerias público-privadas voltadas ao aproveitamento da infraestrutura escolar para o esporte competitivo, mediante a criação de “times escolares, treinos no contraturno e competições municipais e estaduais”. Segundo a proposta, o incentivo aos times escolares pode contribuir para a redução da evasão e da repetência.

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