Volto a um tema que precisa continuar em evidência.
Nos últimos dias tenho venho participando intensamente de programações voltadas à luta contra o feminicídio, o machismo, a misoginia, a violência contra a mulher, cujos números são assustadores no último período.
Em 16 de março, na Assembleia Legislativa, promovi uma Audiência Pública sobre Desafios e Políticas de Combate à Violência Contra a Mulher e no dia 18 de março, estive com a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em Piracicaba, por ocasião do lançamento regional do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, entre outras atividades.
O momento é realmente alarmante. Um caso emblemático, entre tantos, é a suspeita de que o tenente coronel da Polícia Militar de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso, tenha assassinado sua esposa, a policial militar Gisele Alves, a quem vinha submetendo a um relacionamento abusivo. Mensagens atribuídas ao tenente coronel indicam que possivelmente ele não tenha aceitado a possível intenção de Gisele de separar-se dele, assassinando-a.
O ano de 2025 foi marcado por recordes históricos nos registros de feminicídio tanto no Brasil quanto no estado de São Paulo, consolidando uma tendência de alta na violência contra a mulher. Em 2026, os dados iniciais indicam a continuidade da gravidade da situação.
Com base em dados divulgados no início de 2026, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou um aumento alarmante nos casos de feminicídio durante o ano de 2025, com 1.568 mulheres assassinadas, uma lata de 4,7% em relação a 2024, consolidando um novo recorde na série histórica de crimes de gênero. A média diária é de mais de 4 mulheres assassinadas por dia no Brasil por razões de gênero em 2025.
O mais grave é que aproximadamente 13% das mulheres assassinadas em 2025 já possuíam medida protetiva de urgência, conforme dados divulgados no Facebook da TV Brasil. Também causa preocupação que o maior crescimento de casos de feminicídio tenha ocorrido em cidades menores do interior.
O estado de São Paulo também registrou o maior número de casos de feminicídio de sua história em 2025, com 266 ocorrências entre janeiro e dezembro de 2025, resultando em uma média de uma mulher assassinada a cada 33 horas. Os casos vinham crescendo nos anos anteriores: 195 em 2022, 221 em 2023, 253 em 2024, culminando no recorde de 266, em 2025.
Diante desses números, causa revolta que o governo de Tarcísio de Freitas tenha aplicado, em 2025, apenas 30% das verbas destinadas ao combate à violência contra as mulheres e que, no orçamento de 2026, tenha reduzido essa verba em 50%. Isto sem falar na não implementação, na maioria dos municípios, das Delegacias da Mulher 24 horas e outras políticas voltadas para a proteção às mulheres, num cenário que se agrava a cada dia.
Simbolicamente, o ano de 2025 marcou os 10 anos da sanção da Lei do Feminicídio, o que evidencia a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção e combate à impunidade. Em agosto deste ano, vão se completar 20 anos de outra importante legislação, a Lei Maria da Penha, um marco na luta contra a violência doméstica, que, entretanto, persiste.
Há avanços, como a aprovação da lei que obriga os agressores de mulheres a usarem tornozeleiras eletrônicas, sendo suas vítimas avisadas sobre qualquer aproximação do agressor, assim como o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Mas é preciso avançar mais. Essa luta é de mulheres e homens, de toda a sociedade e a educação é fundamental neste processo. Por isso, na condição de professora, conclamo todos os colegas a se informarem, para que possam dialogar e educar meninos e meninas desde cedo sobre machismo, misoginia, feminicídio e violência contra a mulher. É questão de vida ou morte.
Não podemos transigir, nem tergiversar: queremos todas as mulheres vivas!
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e primeira Presidenta da APEOESP













