Após atingir o pico em maio, percentual de consumidores com pagamentos em atraso desacelera em julho; jovens de 18 a 25 anos e moradores do Sudeste concentram os maiores índices do país
Depois de alcançar o maior nível do ano em maio, a inadimplência começa a dar sinais de perda de força no varejo brasileiro. Em julho, a mesma fechou em 8,94%, repetindo o movimento de desaceleração observado em junho (9,01%) e consolidando a segunda queda consecutiva após o pico de 9,18% registrado dois meses antes.
A informação é da última atualização do Índice de Inadimplência do Meu Crediário e mostra que, apesar da mudança de direção, ainda estamos longe de representar um retorno à normalidade. Embora o consumidor esteja atrasando menos pagamentos do que há um ano, o índice continua acima do registrado em julho de 2024 (8,50%), indicando que o crédito segue operando em um ambiente de maior risco e que a recuperação ainda acontece de forma gradual.
O comportamento da inadimplência ao longo dos últimos 12 meses ajuda a explicar esse cenário. Em julho de 2025, o indicador iniciou a série em 9,45% e caiu continuamente até outubro, quando atingiu 7,99%, o menor percentual do período. Nos meses seguintes, a tendência voltou a se inverter. A partir de abril deste ano, os atrasos ganharam intensidade, alcançando o pico em maio. Apenas nos dois últimos meses a curva voltou a apontar para baixo, sugerindo uma desaceleração na pressão sobre o varejo.
Sudeste lidera inadimplência e amplia distância para o Sul
A distribuição regional mostra que o risco não se espalha de maneira uniforme pelo país. O Sudeste concentra o maior índice de inadimplência, chegando a 10,86%, seguido pelo Norte, com 10,04%.
No outro extremo aparece o Sul, que registra 7,76%, o menor percentual nacional. Nordeste (8,83%) e Centro-Oeste (8,18%) ocupam posições intermediárias, revelando um cenário mais equilibrado na comparação com as regiões que lideram os atrasos.
Quanto mais jovem o consumidor, maior o risco de atraso
A diferença entre as faixas etárias continua sendo um dos retratos mais marcantes do levantamento. Entre consumidores de 18 a 25 anos, a inadimplência chega a 16,64%, quase o dobro da média nacional e mais de três vezes superior ao índice registrado entre pessoas com mais de 66 anos, que encerraram julho em 5,36%.
A redução acontece de forma gradual conforme a idade avança. Na faixa de 26 a 35 anos, o indicador fica em 12,73%. Entre consumidores de 36 a 50 anos, recua para 8,69% e cai para 6,07% entre aqueles de 51 a 65 anos. O comportamento sugere uma relação direta entre maturidade financeira e menor risco de atraso nas compras parceladas.
Homens registram inadimplência superior à das mulheres
A análise por gênero também revela diferenças importantes no comportamento do crédito. Em julho, os homens registraram inadimplência de 10,98%, enquanto entre as mulheres o índice ficou em 8,26%.
O resultado reforça um padrão observado pelo levantamento, no qual o público feminino mantém uma carteira de crédito mais equilibrada e apresenta menor incidência de atrasos nas compras realizadas a prazo.
Roupas e calçados concentram maior nível de atraso
Entre os segmentos analisados, roupas e calçados registraram o maior percentual de inadimplência em julho, com 9,98%. As óticas aparecem na sequência, com 8,56%, enquanto móveis e eletro apresentaram o menor índice do levantamento, fechando o mês em 7,76%.
O desempenho reforça que o comportamento da inadimplência varia conforme o perfil de consumo e o tipo de produto financiado, exigindo estratégias distintas de análise de crédito para cada segmento do varejo.
Recuperação avança, mas ainda não apaga a deterioração observada em 2025
A fotografia dos últimos três anos mostra que o mercado começa a deixar para trás o período mais crítico recente. Depois de atingir 9,45% em julho de 2025, a inadimplência recuou para 8,94% neste ano.
Apesar da melhora, o indicador permanece acima do nível observado em julho de 2024, quando fechou em 8,50%. O resultado indica que a pressão sobre o crédito perdeu intensidade, mas ainda não foi suficiente para devolver o varejo ao cenário registrado antes da deterioração observada no ano passado. Para empresas que vendem a prazo, o segundo semestre começa com sinais de estabilização, mas ainda exige cautela na concessão de crédito e no acompanhamento da capacidade de pagamento dos consumidores.
Sobre o Índice Meu Crediário
O Índice Meu Crediário acompanha mensalmente o comportamento da inadimplência nas vendas realizadas por crediário, oferecendo um panorama da evolução do risco de crédito no varejo brasileiro. O levantamento também reúne recortes por região, segmento econômico, gênero e faixa etária, permitindo acompanhar como o comportamento dos consumidores evolui ao longo do tempo.














