O Brasil mantém-se na primeira colocação global em termos de juros reais, situados em 9,05%, o que equivale a mais de sete vezes a média de 1,27% registrada no levantamento da consultoria de mercado Moneyou divulgado nesta semana. O indicador desconta a inflação de cada nação.
O Brasil encabeça a lista que abrange 40 países avaliados, ficando à frente de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia.
Veja os 10 primeiros colocados:
- Brasil (9,05%)
- Turquia (7,77%),
- Argentina (6,80%),
- Rússia (6,57%),
- Colômbia (4,05%),
- Indonésia (3,67%),
- México (3,26%),
- África do Sul (2,93%),
- Hungria (2,04%) e
- Chile (1,69%).
No estudo anterior divulgado em setembro, o país já ocupava o topo da tabela com a taxa real mais alta, porém em patamar inferior, de 8,45%.
Na última quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central paralisou, por unanimidade, o ciclo de redução da taxa básica de juros iniciado em abril, mantendo o patamar em 13,75% ao ano.
Por meio de nota, o colegiado apontou que o cenário de incertezas se intensificou recentemente e que as projeções inflacionárias permanecem acima da meta. A autoridade monetária absteve-se de sinalizar os rumos da taxa para os próximos encontros.
A Selic, taxa básica da economia, constitui o principal mecanismo empregado pelo BC no controle inflacionário. No acumulado de 12 meses, o índice avançou de 4,5% para 4,62%, superando o teto da meta de 4,5%.
O atual patamar dos juros gera contestações por parte de analistas e do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria pontua que a decisão do Copom pela manutenção é “injustificável” e acarreta ônus elevado a empresas e famílias.
“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
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Dívida pública
Conforme estatísticas do Banco Central, as taxas elevadas configuram o principal fator de expansão da dívida pública. No período de doze meses, o serviço da dívida absorveu mais de R$ 1,1 trilhão dos cofres públicos, montante equivalente a 8,9% do PIB brasileiro.
Diante da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, operadores do mercado financeiro têm exigido contenção de despesas como estratégia para conter o endividamento público, que passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para aproximadamente 82,9% do PIB em agosto de 2026.
Em contrapartida, analistas econômicos contrários à condução monetária do BC argumentam que, sendo os juros elevados o vetor primordial da alta da dívida, faz-se necessária a adoção de diretrizes alternativas que favoreçam a diminuição das taxas.














