terça-feira , 6 outubro 2026
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Nas ruas de Assis, uma Kombi transforma comunidades em palco, picadeiro e cinema

MARCOS OLIVEIRA CINE KOMBINHA 28
Foto Marcos Oliveira

Por trás da Kombi colorida existe também uma escolha: a de seguir de forma independente pelas estradas e pelas ruas das comunidades, buscando chegar justamente onde o acesso à cultura muitas vezes é mais difícil.

Em Assis, essa trajetória passa pelas ruas de bairros mais afastados, regiões periféricas e áreas de vulnerabilidade social. É nesses territórios que a chegada da Kombi ganha um significado especial: ela leva o circo, o cinema e a arte para perto de quem muitas vezes não tem a oportunidade de frequentar um centro cultural

Tampa e Panela, representando pelos artistas circenses Fernando Cavallari e Roxane Souza Cavallari,  muitas vezes seguem viagem por iniciativa própria. Não esperam necessariamente por um palco, um convite ou uma grande estrutura para fazer a apresentação acontecer. Eles chegam às comunidades, estacionam a Kombi, abrem as portas e começam a criar.

A rua se transforma em palco. A praça vira espaço de convivência. A frente das casas se transforma em lugar de encontro.

E, em poucos minutos, a rotina daquela comunidade pode ganhar uma nova paisagem.

O combustível é a recepção do público

Nessa caminhada por várias vezes pelas ruas e comunidades de Assis, existe um combustível que vai muito além daquele que mantém a Kombi na estrada.

É a recepção do público.

O sorriso de uma criança que sai de casa, a família que se aproxima, o morador que abre a janela para descobrir o que está acontecendo, os aplausos, a curiosidade e a participação das pessoas são parte da energia que alimenta esses artistas a continuar.

“A gente vai de forma independente. O nosso combustível é a arte e, principalmente, a recepção do público. Quando a gente chega em uma comunidade e vê as crianças saindo de casa, as famílias se aproximando e todo mundo entrando na brincadeira, isso dá força para continuar a estrada.”, relata os palhaços Tampa e Panela ( Roxane  S. Cavallari e Fernando Cavallari).

É nesse encontro espontâneo, no coração das comunidades e nas ruas dos bairros mais afastados de Assis, que a proposta cultural ganha ainda mais sentido.

A Kombi não chega apenas para apresentar um espetáculo ou exibir um filme.

Ela chega para ocupar a rua com arte, criar vínculos e proporcionar uma experiência cultural onde ela muitas vezes não chega com frequência.

A estrada, nesse caso, não é apenas o caminho entre uma cidade e outra. Ela faz parte da própria linguagem dos artistas.

Tampa e Panela seguem levando seus equipamentos, figurinos, objetos, livros e toda a estrutura necessária para transformar ruas, praças e espaços das comunidades em ambientes de cultura, brincadeira e convivência.

Nas áreas mais vulneráveis, a presença da Kombi pode representar muito mais do que alguns minutos de diversão. É a possibilidade de uma criança encontrar o circo perto de casa, de uma família ter contato com o cinema e de uma comunidade inteira se reunir em torno da arte.

Onde houver uma rua, uma comunidade e pessoas dispostas a brincar, existe a possibilidade de fazer a arte acontecer.

Escrito por
Dennis Moraes

Jornalista, Hoster do Iron Podcast e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação

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