quarta-feira , 4 novembro 2026
Lar Variedades Banco Central surpreende o mercado e mantém taxa básica de juros em 13,75% ao ano
Variedades

Banco Central surpreende o mercado e mantém taxa básica de juros em 13,75% ao ano

0d4a1789
© Antonio Cruz/Agência Brasil

As pressões cambiais e o impacto do fenômeno climático El Niño induziram o Banco Central (BC) a adotar uma postura de cautela. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano.

A determinação surpreendeu o mercado financeiro, que previa um corte de 0,25 ponto percentual. Contudo, parte das instituições financeiras operava com a expectativa de manutenção da taxa.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, patamar máximo em quase duas décadas. Desde abril, o Copom promoveu cinco reduções consecutivas na taxa básica, amparado por um cenário de arrefecimento inflacionário. No entanto, o agravamento da guerra no Oriente Médio, o início do fenômeno El Niño e a recente instabilidade cambial dificultam o trabalho do órgão.

O colegiado do Copom opera com lacunas em sua composição em virtude do término dos mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, ao final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não formalizou perante o Congresso Nacional a indicação dos substitutos.

Inflação

A Selic constitui o principal instrumento de política monetária do Banco Central para conter a inflação oficial, aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em outubro, o IPCA-15, indicador que serve de prévia para a inflação oficial, registrou alta de 0,32%, influenciado pela retração nas tarifas de energia elétrica.

No acumulado de 12 meses, o índice subiu de 4,5% para 4,62%, situando-se acima do teto estipulado pela meta de inflação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA cheio de setembro no próximo dia 12.

Sob o regime de meta contínua, implementado em janeiro de 2025, o objetivo inflacionário estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, admitindo margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o piso equivale a 1,5% e o teto alcança 4,5%.

No modelo de meta contínua, a apuração ocorre mensalmente, com base na inflação acumulada no período móvel de 12 meses. Em novembro de 2026, o índice acumulado desde dezembro de 2025 é confrontado com a meta e o respectivo intervalo de tolerância. Em dezembro de 2026, o cálculo renova-se a partir de janeiro de 2026, deslocando a verificação ao longo do tempo em detrimento do fechamento anual tradicional.

No último Relatório de Política Monetária, publicado no final de setembro pelo Banco Central, a autarquia fixou em 5,2% a projeção para o IPCA em 2026, embora a estimativa passe por revisão em função da recente dinâmica inflacionária. A próxima edição do relatório será tornada pública no encerramento deste mês.

As projeções dos analistas privados alinham-se às diretrizes da autoridade monetária. Conforme o boletim Focus, levantamento semanal conduzido junto às instituições financeiras pelo BC, a inflação oficial deverá encerrar o exercício a 5,22%, superando o limite superior da meta de 4,5%. Anteriormente ao eclodir do conflito no Oriente Médio, as previsões de mercado situavam-se em 3,95%.

Crédito menos caro

A retração da taxa Selic estimula a atividade econômica, visto que condições de crédito mais acessíveis fomentam a produção e o consumo. Em contrapartida, juros reduzidos enfraquecem os mecanismos de contenção de preços. Na edição mais recente do Relatório de Política Monetária, o Banco Central revisou para 1,8% a perspectiva de expansão do PIB em 2026.

As expectativas do mercado apontam para um ritmo ligeiramente inferior de crescimento. De acordo com o boletim Focus mais recente, o consenso dos analistas econômicos projeta alta de 1,76% para o PIB em 2026. Há quatro semanas, a estimativa indicava 1,85%.

A taxa básica de juros baliza as operações com títulos públicos no âmbito do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para o conjunto das taxas cobradas no mercado financeiro. Ao elevar a Selic, o Banco Central restringe o excesso de demanda agregada que pressiona os preços, porquanto o encarecimento do crédito desestimula o consumo e favorece a formação de poupança.

Por outro lado, ao flexibilizar a política monetária com cortes nos juros básicos, o Copom barateia o financiamento das atividades produtivas e do consumo, ainda que com sacrifícios potenciais ao controle inflacionário. Para efetivar reduções na Selic, a autoridade monetária requer evidências robustas de ancoragem das expectativas e de estabilidade de preços.

Artigos relacionados

Copom decide nesta quarta-feira se corta ou mantém a Taxa Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza nesta...

Governo articula envio de Medida Provisória do Imposto Seletivo ao Congresso ainda hoje

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o governo planeja protocolar...

Instabilidade afeta site e aplicativo do Banco do Brasil nesta data

Os canais digitais do Banco do Brasil, abrangendo o site e o...

Dólar avança 0,74% e chega perto de R$ 5,50 em meio a cautela fiscal

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta terça-feira (3) em baixa, com avanço...