Iniciativa voltada à inclusão e sustentabilidade levou o 1º lugar no Prêmio Educador Transformador
Um projeto criado na Escola Municipal Professor Adolfo Basile, em Piracicaba, recebeu reconhecimento no Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Sebrae, Instituto Significare e a Bett Brasil. A iniciativa venceu o 1º lugar estadual na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação e a cerimônia de entrega dos troféus aos professores foi nesta quarta-feira (10), na escola.
O Prêmio Educador Transformador reconhece e impulsiona práticas educacionais inovadoras e valoriza o protagonismo de professores e gestores que desenvolvem soluções criativas para os desafios reais do ensino. O projeto “Mundos que se Encontram e Melhoram” tratou de inclusão, sustentabilidade e protagonismo dos alunos, e foi conduzido ao longo do ano letivo de 2025 pelos professores Thalita Benetello Porcel, Henrique Reatto Porcel e Maria Gesiele dos Santos Sousa.
A entrega dos troféus e certificados foi feita em uma cerimônia na própria escola, com a presença dos alunos que participaram do projeto, além da equipe da escola, dos três docentes premiados, da Secretária de Educação, Juliana Vicentim, e do gerente regional do Sebrae-SP, Fabio Gerlach.
“É um desafio conduzir as crianças e jovens a serem protagonistas das suas histórias, então quando identificamos que alguns professores estão fazendo um pouco além disso, buscando alternativas de trabalho para levar o conhecimento a esses alunos, eu me sinto honrado de fazer parte dessas histórias. E feliz, porque estamos aqui contribuindo com o plantio do futuro da cidade, do estado e do nosso país”, afirma Gerlach.
Para a Secretária de Educação, a premiação veio para reconhecer um trabalho que já é realizado na rede municipal. “Os professores trouxeram a questão dos valores para dentro da sala de aula, o protagonismo juvenil, o envolvimento dos alunos na resolução dos problemas. Eu acredito que é isso o que o mundo precisa, porque a educação transforma, e um dos pilares dela tem que ser deixar crianças e jovens para a nossa sociedade com essa capacidade de resolução de problemas, de olhar para o outro, de acolher e de incluir.”
Projeto transformador
A ideia do projeto surgiu a partir da observação da dificuldade de uma estudante estrangeira do 1º ano do ensino fundamental. “Um dia a aluna quis escolher a brincadeira na quadra e ninguém entendeu o que ela queria. Ela voltou triste e ficava falando que queria brincar de “pelota”. Eu pesquisei e entendi que ela só queria brincar de bola. E aí fizemos uma primeira atividade do projeto, que foi ela dar aula de espanhol para a turma. E quando todos entenderam que pelota era bola, ela finalmente conseguiu escolher a brincadeira”, conta Thalita.
“No ano anterior, quando eu soube que teria uma aluna estrangeira, tentei aprender um pouco espanhol. Mas logo no primeiro dia vi que não ia depender só de mim. Aí pensei em incluir todo mundo, porque mesmo que eu conseguisse me comunicar, ela teria que socializar com os amigos, com o restante da escola”, explica.
E, a partir da primeira atividade, o projeto foi tomando forma. Uma aluna com trissomia viu e também quis dar uma “aula” sobre isso para os colegas. “Com isso, a gente sempre tinha a “aula do amiguinho”, pensando na diversidade, de trazer o diferente, que pode surpreender a gente. Trouxemos o escriturário da escola, que sabe Libras [Língua Brasileira de Sinais], uma aluna do infantil que tinha mobilidade reduzida, fizemos experiências diversas, com palitinhos, com braile, trouxemos um intercambista canadense para conversar com eles”, conta a professora.
Thalita também explicou que o projeto foi incluindo familiares das crianças, que traziam diferentes assuntos para a sala de aula. Ao longo do ano, eles também construíram um “robô bombeiro” de papelão, falaram sobre meio ambiente e sustentabilidade. Chegaram a fazer uma carta e entregar para o Núcleo de Educação Ambiental solicitando a coleta seletiva no bairro. “Foi um projeto que começou minúsculo e cresceu, se expandiu para vários temas.”
“É muito importante trazer isso na primeira infância, porque eles já crescem com a ideia de que o diferente pode ser legal, vamos respeitar, vamos dar o tempo necessário, saber, ter paciência. Assim, eles vão estar nos aptos de viver em sociedade do jeito que o mundo precisa.”
O prêmio
O Prêmio Educador Transformador registrou 5.560 inscrições, com 1.300 projetos concorrendo em três categorias: Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas, Gestão Educacional Transformadora e Inclusão e Sustentabilidade na Educação.
Os participantes tiveram de seguir os princípios do design thinking para apresentar o problema educacional que desejariam enfrentar e assim avançar para as fases de imersão, ideação, prototipagem e desenvolvimento. Nesse percurso, o educador era provocado a responder sobre os desafios, a proposta de inovação e o impacto concreto do projeto na aprendizagem e na comunidade.
“Eu não conhecia a metodologia, então fui estudar e fomos aplicando. Eu brinco que foi a loucura da minha vida. Foi muito intenso, mas também foi muito transformador, tanto para mim quanto para as crianças”, finaliza Thalita.













